Afinal, como funciona o processo de datação através do carbono-14?

Com certeza você já leu ou ouviu alguma matéria em que os cientistas falam que tal objeto era de milhares de anos atrás. Mas já você já parou para se perguntar como é que eles chegam a essa conclusão? A resposta mais simples para isso está na datação por radiocarbono, ou seja, através do carbono-14.

Tudo que já teve vida algum dia ou que foi produzido por algum ser vivo pode passar por esse processo de descoberta de qual período da história ele pertenceu. A precisão dele é praticamente absoluta e por isso os cientistas o usam até hoje, mesmo tendo sido descoberto na década de 1940.

Entenda, primeiro, o átomo de carbono

O carbono é um elemento químico presente em toda matéria viva. Ele se divide em três isótopos diferentes: carbono-12, ou C-12, que é o mais abundante de todos (aproximadamente 99% de todo o carbono da Terra se enquadra aqui); carbono-13, ou C-13, que corresponde a 1% do total; e o mais raro de todos, o carbono-14, ou C-14, com apenas 0,001% da totalidade de carbonos do planeta.

Como todo ser vivo possui átomos de carbono, eles existem na sua composição com o mesmo equilíbrio que existe na Terra. Traduzindo: 0,001% dos carbonos de seu próprio corpo pertencem ao isótopo C-14. Acontece, porém, que ele é radioativo! Ele tende a emitir uma partícula beta até se transformar em nitrogênio.

Oi? O carbono vira nitrogênio? Exatamente! Tudo começa lá no espaço: quando os raios cósmicos atingem o nosso planeta, vindos do Sol ou mesmo dos confins do universo, eles colidem com diversos átomos que vão encontrando pelo caminho e, com isso, “arrancam” nêutrons de seus núcleos. Esses nêutrons “perdidos” vão interagir com os átomos de nitrogênio, que é o elemento mais abundante de nossa atmosfera, criando quem? O carbono-14!

Os três isótopos do carbono

A medição

Na verdade, a reação acima também libera átomos de hidrogênio, mas o que importa é o C-14. Ele irá interagir com o oxigênio, criando um gás carbônico com o tal do carbono-14. Depois disso, ele será absorvido pelas plantas e, posteriormente, pelos animais e pelo homem. É por isso que nós temos a mesma proporção de C-14 em nosso corpo que a Terra ou os outros seres vivos.

Tá, e aonde você quer chegar com isso? Bem, depois que um ser vivo morre, o C-14 em seu corpo possui a tendência de voltar a ser um átomo de nitrogênio. Só que esse processo é bastante lento. Foi então que o cientista Wilard Libby teve a ideia de medir a quantidade de radiação emitida pelo C-14 de algum objeto. Através disso, podemos saber exatamente quanto tempo aquele ser deixou de respirar. Complexo, hein? Pode até parecer, mas o método é extremamente eficaz na datação histórica.

A medição da radiação é feita por um instrumento chamado Contador Geiger-Müller. Com esse instrumento extremamente sensível, é possível medir a radiação da atmosfera. Assim, isolando o artefato arqueológico que se quer saber o período histórico em que ele existiu, é possível medir apenas a radiação do carbono-14.

Contador Geiger-Müller faz o cálculo da radiação de C-14 para determinar a idade de algum artefato

Período que pode ser medido

Entretanto, não se podem medir datas tão longas quanto imaginamos. O teste com C-14 só é confiável para datações de, no máximo, 50 mil anos. Isso porque a radioatividade do carbono-14 é muito pequena e cai pela metade a cada 5.730 anos, também chamada de “meia-vida do C-14”. 

Assim, os pesquisadores chegaram à conclusão que o método só é eficiente para, no máximo, 10 meias-vidas do C-14 nesse tipo de datação – para objetos mais antigos, é necessário usar outro método de datação.

A descoberta desse método de datação através da radioatividade conferiu a Wilard Libby o Prêmio Nobel de Química em 1960! Ele faleceu em 1980, aos 71 anos – mas com certeza foi um dos maiores gênios do século passado.

 

Wilard Libby criou o método em 1947 e ganhou o Nobel de Química por conta disso.

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E aí, leitores, conseguiram entender como funciona a datação por radiocarbono? Imaginavam que fórmulas químicas poderiam ser tão interessantes? Caso tenham alguma sugestão, não se acanhem de usar o campo de comentários aí embaixo para fazer suas considerações.
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