O Propósito do Sofrimento

Quando Deus nos transforma, ele mostra que jamais deixa que nosso sofrimento fique sem propósito. O Pai que não permitiu que a dor e o sofrimento de seu próprio filho fosse em vão. Utilizou-os para operar nossa redenção, para comprar nossa salvação. É claro que o sofrimento humano não quita o débito do pecado de ninguém, mas através dele Deus realiza seu propósito redentor, em pelo menos três aspectos. 

1. Conviver com a dor pode ajudar o desenvolvimento do caráter.                   
A principal meta de todos costuma ser “saúde, riqueza e sabedoria” e nada de aborrecimentos. A de Deus, porém é que cada um de nós se assemelhe cada vez mais a seu Filho e desenvolva um caráter parecido com o dele. Para isso usa as dolorosas provações e lutas decorrentes da vida neste mundo pecador.

O escritor Charles Swindoll mostrou como as pérolas ilustram isso com perfeição: “As pérolas são produto de sofrimento. Por alguma razão que desconhecemos, a concha da ostra é perfurada e entra nela uma substância estranha – um grão de areia. Com a penetração desse corpo estranho que causa irritação, a ostra pequena e sensível envia todos os seus recursos para o local e começa a liberar fluidos que se destinam a curar o sofrimento, e que de outra forma permaneceriam em estado latente. Aos poucos o corpo estranho vai sendo coberto; e a ferida, curada.         


Assim forma-se a pérola. Nenhuma outra pedra preciosa tem história tão fascinante. A pérola é um símbolo do estresse – uma ferida curada... uma jóia pequena e preciosa, concebida em irritação, nascida na adversidade, alimentada pelo desajuste. Se não houver o ferimento nem o incomodo irritante, não haverá pérola”.

Em Tiago 1:2’4, Deus diz que devemos receber as “provações” como amigas, não como adversárias, pois amadurecem o caráter do crente, tornando-o semelhante ao de Cristo.
“Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência. Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma”. 

Nossa reação diante dessa verdade pode ser como a de certa criança que operou as amídalas. Ela estava com medo da cirurgia, então os pais lhe prometeram lhe dar um gato, que ela vinha pedindo havia muito tempo. Tudo ocorreu bem na cirurgia, mas, quando a anestesia começou a passar, a menina disse consigo mesma: “Que jeito horrível de se ganhar um gato!

É claro que passar por provações e sofrimentos parece um jeito horrível de desenvolver nosso caráter. Para ser sincera, eu acharia melhor se Deus nos amadurecesse por meio de uma felicidade constante. Contudo, nesse mundo decaído, repleto de pessoas marcadas pelo pecado, que tomam decisões pecaminosas, a felicidade está em falta. Por outro lado, há uma abundancia de provações e sofrimentos, uma realidade atroz que se relaciona a outro propósito de Deus para nós, seres imperfeitos.

2. Conviver com a dor nos capacita a consolar os outros.

Em um mundo onde os seres humanos são livres para tomar decisões erradas, sempre haverá muita gente precisando de consolo. Ninguém melhor para isso do que quem já sofreu e, em meio ao sofrimento, buscou e encontrou consolo em Deus. Essa é a mensagem de 2 Corintios 1:3’4:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus”.

À medida que avançamos no processo de cura e experimentamos o amor, o perdão e o conforto de Deus, nos tornamos cada vez mais eficientes como agentes do consolo divino para outros. Isso inclui também estimular aqueles que sofrem a buscar nele o conforto completo, e lhes falar de como o Senhor nos consolou.             

3. Convier com a dor constitui uma forma de glorificar a Deus.

O propósito mais elevado da vida é dar glória a nosso Deus Criador/Redentor, o que inclui também saber utilizar o sofrimento. Uma das mais expressivas descrições desse louvor é a que se encontra no Salmos 107, onde o salmista, várias vezes, exorta os “remidos do Senhor” a dar glória a Deus, contando aos outros sobre os atos maravilhosos que ele usou para resgatá-los.

Todavia é possível que alguém pense que está com problemas demais para começar a tentar glorificar a Deus e ajudar a outros. Se esse for o seu caso, veja a situação de Paulo descrita em Atos 27:21’25. “...Portanto, ó senhores, tende bom ânimo; porque creio em Deus, que há de acontecer assim como a mim me foi dito”. 

O apóstolo estava sendo levado para Roma, onde seria julgado. O navio foi atingido por uma tempestade e naufragou. No mei da tormenta, Paulo deu glória a Deus e assegurou aos outros que o Senhor havia prometido que todos chegariam vivos em terra. Eu acredito que Paulo pode ter duvidado de que todos levassem a sério suas palavras. Afinal, eles poderiam argumentar que o deus dele não era poderoso, porque nem o havia livrado da prisão! Jamais saberemos o que Paulo pensava, mas temos certeza de que ele glorificou a Deus em meio a circunstancias que nada tinham de perfeitas.

Se nós deixarmos para dar glória a Deus depois que todos os aspectos de nossa vida estiverem “redimidos” e em ordem, jamais iremos começar – nem eu, nem você. Comecemos na situação em que nos encontramos. Comecemos agora!

Extraído do Livro “Vida Restaurada” – Sandra D. Wilson

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